O desfecho da morte da criança sugada por dreno em lagoa de captação de água da chuva em Jaú

JAÚ

Fagner Prioli

3/18/2026

UMA CRIANÇA MORREU — E FICA POR ISSO MESMO?

Chega de eufemismo! Chega de tratar tragédia como fatalidade!

Uma criança morreu afogada em uma área que já era conhecida como de risco. Uma área que, segundo documento oficial lido em plenário, deveria estar cercada, sinalizada e sob manutenção do empreendedor. Não estava.

E quando não está, não é acidente. É omissão.

O próprio vereador foi direto: a responsabilidade, segundo resposta da prefeitura, é do loteador. A bacia de contenção sequer foi entregue ao poder público. Ou seja, continuava sob controle de quem lucra com o loteamento.

Segundo o vereador Maurílio Moretti - PSD, o loteamento é de propriedade da Imobiliária Terra Roxa, e segundo informações públicas, tem como sócio, senhor Antonio Ailton Caseiro

Lucra para vender.
Mas falha para proteger.

E é aqui que a indignação precisa sair do discurso e virar cobrança real.

Porque não basta apontar o dedo depois que uma criança morre.

E mais grave ainda:
se o problema já havia sido identificado, se já havia histórico de transbordamento, se a Defesa Civil já havia constatado falhas — então essa morte não foi surpresa.

Foi anunciada.

Enquanto isso, o jogo político segue como sempre: empurra-empurra, versões, narrativas. Uns culpam a prefeitura. Outros desviam para a imprensa. E no meio disso tudo, uma família enterra um filho.

Isso não pode ser normalizado.

Empresários que exploram o solo urbano não podem agir como se responsabilidade fosse opcional. Não podem vender loteamento e deixar para depois — ou nunca — aquilo que salva vidas.

E as autoridades?

Não podem se esconder atrás de documentos.

Se há um responsável apontado oficialmente, então é obrigação do poder público agir com rigor. Investigar. Cobrar. Punir. Não amanhã. Não depois que a poeira baixar.

Agora.

Porque quando o Estado sabe do risco e não garante que ele seja eliminado, também falha.

E quando o responsável é identificado e nada acontece, a mensagem é clara: pode continuar.

A fala do vereador expôs mais do que um posicionamento. Expôs um sistema que tolera o risco até que ele vire tragédia.

E agora, não há mais espaço para silêncio, nem para proteção de interesses.

Uma criança morreu.

E essa morte exige mais do que discursos inflamados.

Exige responsabilização exemplar.

Exige que alguém responda — de verdade.

Porque se nem a morte de uma criança for suficiente para gerar consequência, então o recado que fica é brutal:

na prática, ninguém responde por nada.

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