IBGE vira alvo do projeto de poder do PT
POLÍTICA
Fagner Prioli
2/2/2026


A exoneração de uma servidora do IBGE com quase quatro décadas de carreira marca um dos episódios mais graves de aparelhamento institucional do atual governo Lula. A saída ocorreu após críticas internas à gestão comandada por um indicado do Planalto, num momento em que técnicos denunciam pressões, interferências políticas e tentativas de alterar métodos de pesquisa justamente às vésperas de um ano eleitoral.
O que está em curso não é uma simples “reorganização administrativa”, mas um ataque frontal à autonomia técnica do IBGE, um órgão que sempre foi referência de credibilidade no Brasil e no exterior. Em vez de proteger servidores de carreira, o governo opta por afastar técnicos experientes e abrir espaço para comissionados alinhados politicamente, transformando estatística oficial em ferramenta de narrativa governamental.
A substituição de especialistas por indicados ideológicos segue um padrão já conhecido dos governos petistas: ocupar instituições estratégicas para controlar o discurso, maquiar indicadores e sustentar uma propaganda desconectada da realidade vivida pela população. Quando dados econômicos, sociais e demográficos passam a ser tratados como ativos políticos, o prejuízo não é apenas institucional — é democrático.
Em pleno ano pré-eleitoral, qualquer tentativa de moldar pesquisas oficiais para favorecer o governo não pode ser tratada como coincidência. O silêncio do Planalto diante da crise no IBGE é ensurdecedor e reforça a percepção de que, para o lulismo, a verdade estatística é secundária quando atrapalha o projeto de poder.
