Alessandro Scudilio no centro de inquérito policial
JAÚ
Fagner Prioli
4/22/2026


Inquérito aponta uso de “laranja” para transformar área pública em patrimônio da família de ex-secretário Alessandro Scudilio em Jaú
Um relatório final da Polícia Civil aponta indícios de um esquema envolvendo o ex-secretário Alessandro Rodrigo Scudilio, que atuou na gestão do ex-prefeito Rafael Agostini, para transformar um terreno público em patrimônio de sua própria família.
Segundo a investigação, a área — pertencente ao município — foi cadastrada em 2013 em nome do pai do secretário, José Donizete Scudilio, dando início a uma sequência de atos administrativos que culminaram na regularização e transferência do imóvel.
Em 2019, surge o ponto central: a regularização fundiária foi feita em nome de Luiz Carlos Alves de Moraes e Daiane Aparecida Fernandes de Oliveira, apontados como supostos ocupantes.
Mas o próprio Luiz Carlos desmonta a versão.
Em depoimento, afirmou que:
nunca foi dono do imóvel
não morou no local
assinou documentos “como favor”, sem saber do que se tratava
Mesmo assim, o imóvel foi transferido na sequência para os pais do ex-secretário, em uma negociação sem valor claro e que, segundo o inquérito, pode ter sido simulada.
Documento-chave desaparece
Em meio às suspeitas, um fato agrava ainda mais o caso: o processo administrativo que fundamentou toda a regularização simplesmente desapareceu dentro da Prefeitura.
O inquérito aponta que o Processo nº 11963/2019, base da legalização do imóvel, não foi localizado pela própria administração municipal. Sem ele, não há como verificar os critérios, documentos e decisões que permitiram transformar uma área pública em propriedade privada.
Diante da gravidade, a Polícia Civil solicitou a abertura de sindicância para apurar o possível extravio de documento público — um episódio que levanta ainda mais dúvidas sobre a legalidade de todo o procedimento.
A Polícia Civil vê indícios de:
falsidade ideológica
simulação de negócio jurídico
uso de terceiros como “laranjas”
O relatório é direto ao apontar um possível esquema de:
“triangulação imobiliária para apropriação de patrimônio público”
O caso agora está sob análise do Judiciário.
Em meio às revelações, uma dúvida inevitável ganha força: durante a gestão do então prefeito Rafael Agostini, como um esquema dessa magnitude teria avançado sem levantar alertas dentro da própria administração?
